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Maria d'Ovenal Films

Filmes de família em Coimbra

Quase todas as famílias têm fotografias. Quase nenhuma tem uma voz.

Filmes de família e histórias de vida, gravados na sala de quem as conta.

O que uma fotografia não guarda.

Ao fim de dois anos ainda se vê a cara de alguém. Já não se ouve como ria, nem como dizia o nosso nome.

A voz

A pausa antes da parte com graça. O sotaque de uma aldeia que já não fala assim.

As mãos

Dizem o que as pessoas têm vergonha de pôr em palavras.

A casa

O quintal, a garagem, a cozinha como está hoje. As casas vendem-se; esta fica filmada.

«A minha mãe nunca vai aceitar.»

É o que quase todos os filhos nos dizem na primeira conversa.

Dizem todos que não ao início, e depois falam quatro horas. Não porque os convencemos: é que nunca ninguém lhes tinha perguntado a sério, com tempo para ouvir a resposta.

Uma conversa, uma tarde, um filme.

  1. Uma conversa

    Meia hora para perceber para quem é o filme e o que tem medo de perder. Quem nos liga raramente é quem vai ser filmado.

  2. Uma tarde

    Dois de nós, na sala deles, com a luz que lá está. Duas a três horas, com pausas e café, sem horário.

  3. Um filme

    De 15 a 40 minutos, em capítulos curtos para mostrar à família. A entrevista inteira fica guardada, incluindo o que não entrou.

Nunca levamos uma lista fixa de perguntas, e nada entra no filme sem a aprovação de quem foi filmado.

Por onde começar.

A maioria das famílias começa por um avô e volta mais tarde para os outros.

Uma vida

Uma pessoa, desde o princípio. É o trabalho a que as famílias mais voltam.

Um casal

Os dois a contar a mesma história e a discordar dos pormenores. Não há nada melhor em filme.

Um dia da família

Bodas de ouro, oitenta anos, um batizado. O único dia em que estão todos no mesmo sítio.

O arquivo

Fotografias, cartas, Super-8 e VHS, recuperados e montados num filme que se consegue mesmo ver.

Um filme, dez anos depois.

O tio Manel e a tia Maria a falar do filme que o Pedro lhes fez aos catorze anos, com o neto no quintal.

Como tudo começou

Se a pessoa é muito idosa ou está doente.

Diga-nos logo na primeira mensagem.

Reorganizamos o calendário, e é o único caso em que não há lista de espera.

Conte-nos a história da sua família.

Umas linhas chegam. Não precisa de ter decidido nada, nem de já ter falado com a pessoa.