Um dia, alguém vai querer voltar aqui.
Filmamos para que haja um sítio onde voltar.
A luz daquela tarde. A voz dele ao telefone. O jeito como ela sorria e ria.
Daqui a vinte anos ninguém se vai lembrar da câmara que usámos.
Vão lembrar-se de quem estava na sala, e de como era estar ali.
O trabalho é esse. Só esse.
Alguém a contar a mesma história pela milésima vez, a mudar o tom de voz enquanto começa a sorrir e com uma lágrima a aparecer no canto do olho.
Uma mão que aperta outra sem ninguém reparar. Dura dois segundos e diz tudo.
Aquela luz, àquela hora. Nunca mais cai igual.
Nem naquela casa, nem naquelas pessoas.
Antes de sermos uma produtora, somos pessoas que não se conformam com o facto de tudo passar. Por isso filmamos.
Para as pessoas. Sempre para as pessoas.
O melhor disto não é a entrega. É o silêncio de uma sala quando alguém se reconhece no ecrã, a lágrima no canto do olho, e a mensagem que chega três dias depois a dizer que voltaram a ver. Não há nada mais gratificante do que isso.
É por isso que estamos aqui, e por isso que continuamos.
Não medimos um trabalho pelo número de planos nem pela câmara. Medimo-lo por uma pergunta só: daqui a vinte anos, alguém vai voltar a este filme? Tudo o resto é técnica ao serviço dessa pergunta.
Aceitamos poucos projetos de cada vez, de propósito. Preferimos estar inteiros em poucas histórias do que a meio em muitas.
Se dissermos que sim, vamos até ao fim.
Antes da empresa, houve uma mulher a quem chamavam Maria do Avenal.
O Avenal era um campo, um lugar, uma raiz. O nome dela (Maria, nascida e criada humildemente no meio da agricultura) atravessou gerações até chegar aqui, e ficou porque diz exatamente o que fazemos: pegar numa pessoa, num dia, numa promessa, e guardá-los de forma a durar mais do que quem lá esteve. A Maria era uma pessoa que vivia para os outros, sempre com a felicidade dos outros como prioridade. Herdámos um nome. Trabalhamos para o merecer.
Ninguém se lembra de uma campanha. As pessoas lembram-se do que sentiram e de quem está por trás. Filmamos esse lado.
Uma vida contada enquanto ainda há quem a possa contar. Para quem vem depois. A nossa produção de eleição, e a que não deixa ninguém sem uma lágrima no canto do olho.
A nossa raiz. O dia inteiro, sem o transformar num set. Sob a marca Maria d'Ovenal Wedding Films.
A mesma exigência ao ritmo de quem vê no telemóvel. Curto, planeado, e nunca descartável.
Encontra a história antes de alguém pegar numa câmara. O responsável por garantir que cada filme é sobre alguma coisa.
Capta e monta. As mãos por trás da textura, do ritmo e da luz de cada plano.
É quem lhe responde, trata das suas redes, e mantém viva a conversa muito depois de o filme estar entregue.
Antes de qualquer câmara, uma conversa. Quem são, o que querem guardar, e para quem o querem guardar.
Equipa mínima, presença discreta. Ficamos o tempo que a história precisar e ninguém tem de representar para nós.
Um filme que se vê até ao fim sem olhar para o relógio (mais os cortes curtos, para quem só tem trinta segundos).
É mais lento. Não é escalável. É a única forma que conhecemos de fazer isto bem.
«Eu não sei estar à frente de uma câmara.»
As pessoas que aparecem melhor nos nossos filmes são as que juraram que odiavam câmaras. Nunca pedimos que representem nada.
Filmamos até se esquecerem de nós, e o que aparece
é a pessoa de quem a família tanto gosta.
Um casamento, uma família, uma empresa, um lugar.
Se há pessoas e há verdade, há filme.
Diga-nos para quem é, respondemos sempre nós.